segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mochileiro x Turista

Mochileiro? Turista? Viajante independente?

Tem muita polêmica entre as classificações e definições dessas palavras.
Para entender melhor a minha definição, é preciso entender o que vem a ser turismo. Não sou turismólogo nem nada, mas acredito que o turismo é a visita (temporária) de um lugar, que não seja a sua própria residência, por prazer. Assim, tomo mochileiro é um turista.

 Então, quem é "mochileiro"? Pra mim, ser mochileiro é ser viajante independente.
 Normalmente mochileiros viajam para conhecer melhor outros lugares, pessoas e culturas. Prefere pesquisar, ao invés de acreditar em estereótipos, preferem montar o próprio roteiro, gastando menos e com menos luxos, mas com experiências mais auntênticas.
 Desse modo, mochileiros não viajam só pra relaxar. Conhecem pessoas (nativas e outros viajantes), aprendem mais da história local, gastam pouco para viajar mais.


Para isso, é comum optar pelas mochilas pela praticidade em se locomover (evitando gastos com táxis quando se pode usar transporte público, bike ou pé), ficam em pousadas/pensões e albergues, gastando pouco e conhecendo mais gente, comem em lugares mais simples, economizam, mas não que sejam regras.

Há uma grande diferença entre o Turista e o Mochileiro. O Turista vai para um lugar, fica alguns dias ou semanas, e retorna para casa. O Mochileiro está em casa em qualquer lugar que ele visite.
 Paul Bowles

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Músicas

Algumas músicas tem tudo a ver com o espírito mochileiro, outras nem tanto, mas servem como uma "trilha sonora" para o mochilão, que é uma experiência sem igual que também merece ser lembrada com carinho ao ouvir aquela música que tanto marca a gente. Ainda mais quando a letra trata de viagem propriamente dita.

Alguns artistas que marcaram a minha viagem anterior foram principalmente Seal, Alanis Morissette, Coldplay, Linkin Park (ultimo album), aqueles que eu ouvia enquanto preparava a viagem e no decorrer dela. Alguns hits de sucesso da época também serviram de trilha sonora, mas cada um tem seu estilo, e cada lugar tem um espírito.
De vez em quando vou postar umas músicas que me "inspiram", inspiraram ou apenas gosto de ouvir.

Essa eu não conhecia, mas achei hoje numa comunidade do orkut e achei muito bonita. Composta pelo Geraldo Roca, mas interpretada pelo Almir Sater. O vídeo não é meu, é do youtube.


Mochileira Geraldo Roca

Mochileira, deite comigo essa noite
E conte aquela boa velha história
De como as noites são claras em Macchu Picchu
E os dias dourados na Califórnia

Moça eu não vou precisar ler sua mão
Pra saber que você não vai voltar
Pra vida maluca das pessoas
Do mundo
Das formigas tentando se esconder da chuva

Dance mochileira que eu toco a guitarra

Pedro saiu numa barca pro Nepal
Vera estava em Amsterdã
Por que não fazer algo mais divertido que casar
com executivos
E acabar achando excitante
A reunião semanal da confraria dos amantes
Das delícias da boa e velha tecnocracia

Dance mochileira que eu toco a guitarra

Moça eu sei que não é legal
Ficar sozinha quando o velho medo vem
E essa noite em Cuzco é tão fria
Me passe a garrafa de vinho
Sim, eu posso ver
Que os tempos tem sido maus com você

Mas os deuses, eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquanto durar essa farra
E depois você é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva

Dance mochileira que eu toco a guitarra.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Roteiro

Na postagem anterior esqueci de colocar o roteiro que quero fazer agora. Como não estou esperando nada muito definido na viagem, só tenho em mente um roteiro que servirá como base.



Início: Japão, dia 10/01
> Coréia do Sul> Tailândia> Malásia> Indonésia> Malásia> Filipinas> Malásia> Brunei?> Tailândia> Myanmar?> Laos> Vietnã> Tailândia> Índia.
Pretendo percorrer toda essa parte, com excessão da Índia, em 4 meses. Talvez corte algum país, ou talvez adicione Timor Leste. Myanmar, Brunei e Filipinas são os que não tenho certeza ainda, vamos ver!


Pretendo fazer voando somente esses trechos:


Japão> Coréia do Sul
Coréia do Sul> Tailândia
Malásia> Indonésia
Malásia insular> Malásia continental (Sabah>KL?)
Vietnã> Tailândia
Tailândia> Índia


Não visitarei o Cambodia e Singapura, pois já estive em ambos e não quero ir de novo. Talvez, porém, faça o trecho Vietnã>Tailândia por terra, passando pelo Cambodia.


Quando fizer um mapa com a rota, postarei aqui.


Nunca se afaste de seus sonhos; porque se eles se forem, você continuará
vivendo, mas terá deixado de existir.
Mark Twain

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vivendo uma vida inteira...


...em alguns meses.

Foi assim que me sentia, nos 5 meses e meio que passei mochilando pela primeira vez.

Me sentia como uma criança descobrindo o mundo, o que de certa forma era verdade, mas com os olhos e a experiência de um recém-tornado adulto.

Saindo de Takaoka, na província de Toyama, passei pelos Alpes do Sul, num caminho que se chama "Tateyama-Kurobe Alpine Route" que me levou à província vizinha de Nagano.
Lá perto, pernoitei na pitoresca cidade de Matsumoto, onde visitei um castelo da época dos feudos, e segui para a cidade de onde eu iria partir, mas não antes de tomar a vacina contra febre-amarela, que é obrigatória para nós brasileiros para entrar na Tailândia.

Parti então para a Coréia do Sul, onde visitei Seoul por alguns dias, alguns dias também em Beijing, Shanghai, Hong Kong na China.
Depois no sudeste da ásia propriamente dito: Tailândia, Cambodia, Malásia, Singapura... Quando for novamente escrevo mais sobre esses países.
Singapura
Nesse tempo todo, claro, aconteceram muitas coisas. Fui roubado 2 vezes (a primeira me deixou em apuros e não fosse o Marcos, meu primo, ter me salvado...), ri até não aguentar mais, chorei de tristeza e saudades de casa, fiquei com medo, andei quase 10 km sobre a Muralha da China com uma francesa que estava numa volta ao mundo de bike, vi pandas pela 1a vez, me apaixonei, comi grilos e outros insetos, fiz amigos inesquecíveis, fui para outra cidade, e mudei meu roteiro, só de raiva, por ter perdido um trem... Melhorei muuito meu inglês, conheci gente do mundo todo...
Não necessariamente nessa ordem.

Fiz e vi tanta coisa, que senti que tinha vivido muito mais nesses quase meio ano que passei mochilando que na minha vida de 18 anos inteira, e, ao final de tudo, era como se fosse um livro, que você não quer acabar de ler, mas sabe que está na última página, e deve continuar em frente.
Ao voltar para o Japão, minha irmã, cunhado e sobrinho estavam de partida para o Brasil no mesmo dia, então deu uma certa tristeza, também por causa do fim da viagem.
Enfim, a vida seguiu, voltei a trabalhar na mesma firma que antes, mas não era mais a mesma coisa, logo fui dispensado com quase todo o resto da sessão (maldita crise de 2008/9) e fui "recolocado" em outra firma, onde me proporcionou juntar dinheiro.

Eu não estava satisfeito, e, não fossem pessoas muito especiais que conheci lá, teria parado muito tempo antes.... de me dispensarem de novo! Ah, não, isso só pode significar uma coisa: está na hora do Mochilão pela Ásia II: A continuação!



Bamboo Island, Krabi.
Ao voltar de uma viagem, não sei se o mundo
encolheu, ou eu é que cresci.

Antônio Skármeta

Como tudo começou...

Para quem me conhece, bom, sou eu mesmo, Marcio Morais Arakaki, quem vos escreve. Para quem não conhece ainda, não sabe o que está perdendo.

Enfim, reinauguro este blog contando sobre a criação dele, e o por que de ter sido abandonado, tendo os posts removidos (mesmo que sem querer querendo) dando espaço a este novo, com o mesmo formato mas conteúdo diferente.

Há dois anos atrás, após ajeitar documentos e a mochila, eu estava finalmente embarcando nessa aventura pela Ásia, com passagens entre um país e outro. Era isso, e o dinheiro que eu tinha disponível, só o que me limitavam.
Esse ano marcou em minha vida não só por ser o ano em que me tornava um adulto, oficialmente, mas também o ano em que superaria limites, passaria apuros, me divertiria à beça e, acima de tudo, expandiria meus horizontes.

Uma das condições impostas pela minha mãe, era de que eu desse notícias sempre, e combinei de que ligaria a cada troca de cidades, para passar meu paradeiro. Além de e-mails e scraps no orkut para meus irmãos, resolvi criar esse blog para contar um pouco do que ia acontecendo.
Porém, no 3o país, lá pelo 15o dia de viagem, já estava cansado de postar, mesmo porque não tinha noção do que postar, e acabei abandonando.

Recentemente deletei os posts antigos para dar lugar à artigos que pretendo escrever com o passar dos dias.
No próximo post, conto resumidamente por onde passei no primeiro mochilão e onde pretendo ir nesse segundo, que é uma espécie de "continuação".
A aventura continua...